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Categoria: Ecodesign Sustentabilidade

Conheça o Secco, um produto eco-amigável

Por Marina Dayrell - Tempo de leitura: 5min
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Conheça o Secco, um produto eco-amigável Conheça o Secco, um produto eco-amigável Conheça o Secco, um produto eco-amigável

Nos últimos anos, se tornou muito comum ouvirmos falar sobre sustentabilidade e ecodesign. A necessidade de se pensar em alternativas para contribuir com o ambiente no qual vivemos e ainda solucionar problemas de escassez de recursos faz com que surjam novos produtos.

Esse é o caso do SECCO, o sanitário eco-amigável desenvolvido pelos designers Leandro Hoyos Urrea, Iván Oliva Serrano e Mariana Buraglia Osorio da empresa colombiana LEHOS S.A.S.

No artigo sobre o que é ecodesign introduzimos sobre SECCO falando porque este produto é um verdadeiro exemplo de projeto de ecosustentável. Neste post vamos falar mais detalhadamente sobre como funciona este sanitário quais são seus benefícios e desafios. Acompanhe até o final!

1.O que é SECCO?

Protótipos sanitário secco
Protótipos sanitário secco


SECCO é um sistema de saneamento com higienização a seco, ou seja, não precisa de sequer uma gota de água ou eletricidade para funcionar. O dispositivo contém um separador de fezes e urina que utiliza um recurso local, como areia e/ou terra.

O sistema foi criado com o intuito de melhorar a vida das pessoas que vivem em áreas de emergência (refugiados) e sofrem com a escassez de água e, ao mesmo tempo, dar a elas a oportunidade de usarem o sanitário com conforto e dignidade. No entanto, ele também pode ser instalado em áreas urbanas.

2.Como funciona este sanitário a seco?

O SECCO não requer instalações especiais, o que permite que ele funcione de maneira autônoma, fácil e muito parecida com o atual sistema sanitário hidráulico.

Veja o vídeo onde os criadores explicam um poquinho sobre este projeto.

Primeiramente, é preciso abrir o separador, assim como abriríamos a tampa de um vaso comum. Logo após, acionamos o mecanismo que vai despejar o material de cobertura (a areia, a terra ou outro elemento que atenda à granulometria específica).

Após utilizar o sanitário é só acionar esse mecanismo mais uma vez e fechar o separador.

O dispositivo SECCO também foi criado com dois esquemas de rotas de saneamento que evitam a contaminação das fontes pelo manejo dos excrementos. A primeira permite o aproveitamento seguro através da compostagem para a recuperação de solos agrícolas. A segunda possibilita o manejo seguro em caso de não ter como aproveitar os resíduos.

3.Quais são os benefícios do SECCO®?

Utilizar um sistema deste tipo traz inúmeros benefícios ambientais, econômicos e sociais. Assim podemos destacar:

  • Portabilidade: A leveza e a facilidade de montagem e de transporte tornaram possível a criação do mecanismo portátil. Já o permanente pode ser usado até mesmo em um apartamento já construído. Segundo Mariana Buraglia em um edifício é possível fazer uma descarga de fezes que conecta todos os banheiros até o biodigestor, que pode produzir energia para o prédio. A ideia dos criadores é adequar cada instalação para as necessidades do cliente e do local.

  • Economia : A versão básica do dispositivo com a instalação custa aproximadamente 700 dólares (valor referente ao ano de 2016). Um sanitário comum custa 200 dólares. Mas ele também exige o custo de instalação (que não é contemplado neste valor), uma maior infraestrutura, além de gastos com cimento, água e, claro, o custo ambiental. Em um ano, uma pessoa pode consumir e contaminar até 22.000 litros de água usando um sanitário convencional. O SECCO reduz esse número a zero.

  • Conforto: O produto foi criado pensando no conforto do usuário e se assemelha a um sanitário hidráulico. Além da versão básica, feita de plástico, também existe a luxuosa, criada em pedra acrílica natural.

4. Por que esse sistema ainda não é comum?



Em entrevista a Atemporale, a designer Mariana Buraglia relata que o primeiro desafio para a implantação do SECCO é cultural:

Para as pessoas, ele remete a algo primitivo e elas pensam que é como se fosse um buraco. Estamos acostumados a fazer com que as fezes desapareçam pela movimentação da água, que vem associada à ideia de limpeza a saúde. Mas na realidade é pior quando a água se mistura nas fezes.

Mariana Buraglia também afirma que o armazenamento das fezes pode assustar algumas pessoas:

Será necessário um grande trabalho para educar as pessoas, para assim mudar esses hábitos. Não estamos acostumados a ter contato com as fezes no sistema comum. Então, a gente imagina pedaços inteiros ali. Mas não é bem assim, depois esse conteúdo se transforma em terra.

Como tudo que é inovador, o SECCO precisa de tempo e conscientização dos designers e da população para que se torne uma tendência forte no mercado, tanto para as construções urbanas, quanto para as regiões que sofrem com a carência de recursos hídricos. No entanto, já podemos pensar em formas de incluir esse produto na nossa realidade.

Se o SECCO passasse a ser um recurso comum, a nossa sociedade só teria a ganhar. Aumentaria o fornecimento de adubos aos produtores rurais e, também, a produção de energia 100% ecológica, além da geração de empregos na área de manutenção desses recursos.

Em relação à nossa cultura de aproveitamento, também temos muito a ganhar ao conseguir enxergar que na natureza tudo pode ser aproveitado, até mesmo os outputs humanos (as fezes e a urina).

Indiretamente, podemos abrir mão de milhões de reais usados para a transposição de um rio ou na construção de uma hidrelétrica, uma vez que o sistema não precisa de água para funcionar.

Atualmente, os criadores estão focados em produzir somente para a Colômbia, mas já estudam a possibilidade de incluir o restante da América Latina na rota de produção.

Um passo já está sendo dado. Os outros vão depender de investimentos e do quanto nós nos comprometeremos a nos educar a ver com bons olhos um sistema assim. Enquanto isso não acontece, ficamos torcendo para que um produto tão incrível e eco-amigável chegue logo por aqui.

Se gostou compartilha com os amigos. Vamos ajudar mais pessoas a conhecerem outras possibilidades.

Para finalizar fica a pergunta: você usaria esse sistema sanitário que não utiliza, uma gota de água e conta com um incrível sistema a seco? Comente!

Mais informações sobre SECCO: site e facebbok do projeto

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Marina Dayrell

Marina Dayrell (Redatora):

Marina é mineira, formada em Jornalismo pela Universidade Federal de Minas Gerais. Descobriu que nasceu para ser do mundo quando morou em Lisboa, Portugal. Apaixonada pela escrita e pela leitura, gosta de escrever sobre o desconhecido, seja ele comum ou inusitado.

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