O unboxing e a geração de valor
A cultura do YouTube revelou para o mundo algo que os designers já sabiam há muito tempo: o valor do unboxing.

Até um invólucro simples, mas que tenha um método de abertura diferente.
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Categoria: Ecodesign Series Sustentabilidade

#2 Como o ecodesigner atua?

Por Carollina Li - Tempo de leitura: 5min
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Como o ecodesigner atua? Como o ecodesigner atua? Como o ecodesigner atua?

Agora que você já tem uma visão mais completa do que é o ecodesign sistêmico, vamos falar neste artigo sobre como é na prática a atuação deste profissional.

Se você ainda não leu o artigo introdução e o primeiro artigo acesse aqui.

Ao pensar em produtos inovadores e em chave ecológica, o ecodesigner vai pensar além do produto a ser projetado, ou seja, em todo o sistema que o compõe. Na prática é importante seguir 3 aspectos-chaves para garantir que o ecodesign sistêmico aconteça:

  1. Para quem?
    É a pergunta base de qualquer projeto de design. O ser humano está ao centro do projeto (UCD) sustentável, mas deve ser entendido como parte integrante da natureza, não dominante.

    Isso é importante pois, para que dê certo, as soluções devem harmonizar os interesses humanos, do mercado e do ambiente. Assim, é importante perguntar: Em qual cultura/território? Quais são os hábitos? O que gosta de comer? conhecer bem a “persona” e criar empatia com ela é fundamental.

  2. Pensamento holístico contextual
    É necessário entender o problema como um todo e que o ser humano está inserido nesse todo (sistema), não apenas em uma parte. Entender as relações que se estabelecem entre o homem e seu contexto ambiental, social, cultural e ético é essencial.

    Lembra do efeito borboleta? Uma simples ação (em algum lugar) pode repercutir em outra parte do mundo e vice-versa. Podemos lembrar do desastre em Mariana em 2015. Seus efeitos foram muito além de Minas Gerais.

  3. Metodologia do Design sistêmico (baseada no pensamento sistêmico) Essa metodologia propõe pensar o processo dos produtos e serviços em base as suas relações e em chave de fluxo de matéria e energia.

    Após entender todo o processo, pensar em como transformar (ou reutilizar) o output de um sistema (o que normalmente é entendido como descarte de um sistema) em input (entendido como matéria-prima) para um outro sistema.

    Desse modo, é possível desenvolver um produto que configure um sistema aberto (assim como na natureza), que tende a ter emissão zero.

    Em relação ao produto, ainda é importante considerar que ele seja projetado por componentes, a fim de que, caso ele apresente defeito, seja possível realizar a troca apenas de uma peça e não do aparelho como um todo.

    Seria quase um “ideal” projetar deste modo?


Um exemplo possível, seria?



Se pensarmos em nosso atual sistema sanitário dá até tristeza.

Gastamos dinheiro para que a água limpa vá para o esgoto para, assim, novamente, gastarmos dinheiro no tratamento de esgoto e para conter a contaminação que ele pode causar. Muito louco isso, vocês não acham?

Da Colômbia, o projeto Secco traz uma solução extremamente útil ao propor um dispositivo sanitário que não usa uma gota de água.

Interessante proposta de móveis feitos com utilizo de papelão
Imagem: Protótipo do sanitário Secco. Fonte: https://www.facebook.com/sanitario.secco/?fref=ts


A princípio, essa solução foi pensada para que pessoas em estado de emergência, pudessem usar o sanitário com dignidade.

É possível utilizá-lo confortavelmente, como o sanitário ao qual estamos acostumados, mas com um sistema de higienização a seco.

Esse é um excelente exemplo de projeto de ecodesign, pois, não somente economiza água, como também favorece o reaproveitamento das fezes e da urina (outputs) que, quando não misturados, são recursos (se devidamente separados e tratados) que se transformam em adubo e biogás.

Se quiser saber mais sobre esse fantástico projeto acesse aqui.

O grande desafio de SECCO, bem como será o de muitos outros, é o da percepção das pessoas. É necessário um processo grande de educação para que elas comecem a enteder que pequenas ações cotidianas importam. O que "não pensamos" custa e causa um impacto enorme em todo o sistema terra.

É essencial não apenas se acomodar com o que já existe sem sequer pensar.

No terceiro e último artigo da série vamos falar sobre O que não é Ecodesign e seus desafios.

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Carollina Li

Carollina Li (Diretora de projetos):

Formada em design pela UEMG, mestra em design sistêmico pelo Politecnico di Torino e estudante incansável de marketing. Atua no desenvolvimento de estratégias de diferenciação para pequenas empresas. Apaixonada por pensar o design e o marketing de forma sistêmica. Pesquisadora de nascença. Sonhadora de carteirinha. Van Gogh, Salvador Dalí e Naruto são grandes inspirações. :) Carollina ama intensamente a natureza, escrever, viajar e encontrar sentido em tudo o que faz.

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